Meu nome é Ana Cristina Lamas - CRP 06/141121
Sou psicóloga, com especialização em Psicologia Junguiana e Prática Clínica, Educação e Organização. Minha formação também inclui estudos em neurociência e em temas ligados à consciência, sempre como campos de ampliação da compreensão humana, não como substitutos do método clínico.
Minha base de trabalho é a Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung.
A clínica que ofereço não parte de fórmulas prontas, promessas rápidas ou interpretações morais do comportamento. Parte da escuta rigorosa dos fenômenos psíquicos tal como se apresentam, pensamentos, afetos, sonhos, sensações corporais, impulsos, repetições e conflitos internos.
Acompanho pessoas que escolhem olhar para si com mais verdade e menos autoengano.
Minha base clínica
Minha escuta parte da Psicologia Analítica Clássica, em diálogo com contribuições da neurociência, da neurobiologia e da antropologia.
A clínica permanece una.
O que se amplia é a compreensão do fenômeno humano.
Não compreendo o sofrimento apenas como sintoma isolado, nem como falha de personalidade. Também não reduzo a pessoa ao cérebro, ao comportamento, à infância ou ao ambiente.
O ser humano é uma totalidade viva, corpo, psique, história, vínculos, cultura, instinto e símbolo.
Por isso, o trabalho clínico considera a história familiar, a formação cultural, a religião ou ausência dela, os valores, os sonhos, as experiências marcantes e a maneira como cada pessoa aprendeu a interpretar a dor, o amor, a culpa, o medo, a autoridade, o pertencimento e a própria identidade.
Como compreendo o processo terapêutico
Não trabalho com a ideia de controlar o impulso antes que ele aconteça.
Na experiência clínica, o trabalho começa quando o acontecimento já revelou algo da psique.
Uma reação ocorreu.
Uma emoção tomou a cena.
Um pensamento invadiu.
O corpo respondeu.
Um vínculo ativou determinada defesa.
É nesse retorno ao fato vivido que se constrói consciência.
A nomeação acontece depois da ocorrência, quando o circuito psíquico já se manifestou na interação. Nesse momento, investigamos qual núcleo assumiu a condução da resposta interna.
Pode ser vítima, medo, inferioridade, arrogância, inveja, superioridade, culpa, submissão, controle, vingança ou outro núcleo que se revele no processo.
Esses nomes não são julgamentos.
São instrumentos clínicos.
Nomear não é condenar a pessoa, nem reduzi-la ao conteúdo que apareceu. É separar a identidade do núcleo que a tomou.
Com a repetição desse movimento, a autonomia do complexo diminui gradualmente. A integração não acontece por controle comportamental, mas por digestão psíquica.
A consciência se constrói no retorno ao vivido, não na fantasia de domínio antecipado.
O singular e o universal
Cada pessoa vive sua história de modo singular.
O que alguém sente, teme, repete ou defende nasce da relação entre sua história pessoal e a leitura que fez das exigências do meio.
Mas os núcleos que se ativam pertencem a uma dimensão mais ampla da experiência humana.
Medo, vítima, arrogância, inveja, culpa, superioridade, submissão e vingança não pertencem a uma pessoa isolada. São possibilidades psíquicas da espécie, vividas de modo particular por cada indivíduo.
É por isso que o conflito não é um erro do processo.
O conflito é matéria clínica.
Sem conflito, não há movimento.
Sem movimento, não há ampliação da consciência.
A origem da minha investigação ética
Ao longo da minha trajetória, tanto como paciente quanto como terapeuta, observei padrões recorrentes nas dinâmicas humanas e nas relações de poder que podem emergir quando não há estrutura.
Uma pergunta atravessou minha formação de modo decisivo:
Que poder é esse?
Esse questionamento deu origem ao meu trabalho de conclusão de curso e, posteriormente, ao livro As possíveis relações de abuso de poder do psicoterapeuta, A busca da ética para inibir relações de abuso de poder na psicoterapia.
A obra nasceu da experiência vivida e da reflexão clínica. Não como denúncia pessoal, mas como investigação ética sobre os limites da autoridade terapêutica e sobre a necessidade de estrutura no processo analítico.
Essa reflexão continua presente no meu trabalho.
A autoridade do terapeuta não pode substituir a autonomia do paciente.
A função clínica não é ocupar o lugar de quem sabe sobre a vida do outro, mas sustentar um campo de escuta onde a pessoa possa reconhecer o que a conduz internamente.
Autossabotagem, núcleos defensivos e consciência
Minha reflexão sobre dinâmicas psíquicas contemporâneas também foi tema de entrevista para o jornal A Tribuna de Santos, onde abordei o fenômeno da autossabotagem sob a perspectiva estrutural da Psicologia Analítica.
Compreendo a autossabotagem não como falha de caráter, falta de força de vontade ou incapacidade pessoal.
Ela pode ser a atuação inconsciente de núcleos defensivos que um dia funcionaram como tentativa de preservação e, com o tempo, passaram a limitar a vida psíquica.
Aquilo que parece boicote, muitas vezes, foi uma forma antiga de sobrevivência que continua operando sem consciência.
O trabalho terapêutico busca reconhecer esses núcleos, nomeá-los e reduzir sua autonomia.
Meu compromisso clínico
A prática clínica exige estrutura, clareza de método e responsabilidade.
Não conduzo pessoas para fora de si.
Também não ofereço respostas prontas sobre quem elas devem ser.
Meu trabalho é sustentar um processo em que a pessoa possa reconhecer seus próprios núcleos, compreender suas repetições, ampliar sua consciência e construir eixo interno suficiente para não depender de conduções externas.
Psicoterapia, para mim, não é corrigir uma falha.
É organizar o que se fragmentou.
Não é cura, porque você não está doente.
É uma organização interna.
